Au théâtre des esprits

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Au théâtre des esprits, il fallait bien ça – pour se faire un monde – la couleur safran d’un manteau dans sa lumière feutrée, qui de la terre et de ses pierres fait surgir un horizon d’expérience.
A la figure imaginaire costumée, une douceur épicée arpenterait ce qui semblait à désormais figé dans les ruines d’un passé glorieux, portant dans ses plis les fibres de nouvelles histoires. Et finit la cape surannée des vieux jour de fête, et de nos vieille comédies à la Tatie ; la cape, huilée de tous ses possibles pour se trouver un confort. Dans l’épaisseur de sa feutrine, le manteau safran s’énonce comme un antidote à notre vieux monde. Je ne peux voir Ana autrement que sans une différente généalogie de promeneurs, à la façon de Flavio de Carvalho et de son New Look tropicale, la nécessité d’un manteau couleur safran pour revisiter Paris et faire trembler les interstices dans lesquels depuis longtemps nous logeons nos poussières.
A cette errance parisienne – des ponts, passages, monuments – Ana Mazzei assemble les briques dorées d’une restitution prochaine. Ce qu’elle puise dans les signes du temps sont autant de potentiels formels. Ses référents s’ouvrent à d’autres principes morphologiques, les rideaux se promettent comme la théâtre d’une pièce en construction. De façon indicielle, ses maquettes et autres figures seraient des acteurs d’un temps présent qu’il nous faut saisir, voici venu ce moment suspendu à son anachronisme auquel Ana nous invite, couverte de son manteau de Safran.

Estelle Nabeyrat

No teatro dos espíritos

No teatro dos espíritos, ainda faltava isso para formar um mundo – a cor de açafrão de um casaco em sua luz feltrada, que da terra e suas pedras faz surgir um horizonte de experiência.

Na figura imaginária encasacada, uma doçura de especiarias percorreria aquilo que parecia para sempre congelado nas ruínas de um passado glorioso, trazendo em suas dobras as fibras de novas histórias. E acabou-se a capa desgastada dos velhos dias de festa e de nossas velhas comédias no estilo de Tati, a capa azeitada com todos os seus possíveis para encontrar um conforto. Na espessura de seu feltro, o casaco açafrão enuncia-se como um antídoto a nosso velho mundo. Não posso ver Ana senão dentro de uma genealogia diferente dos andantes, à maneira de Flávio de Carvalho e seu New Look tropical, a necessidade de um casaco cor de açafrão para revisitar Paris e abalar os interstícios nos quais há muito depositamos nossas poeiras.

A essa errância parisiense – pontes, passagens, monumentos – Ana Mazzei combina os tijolos dourados de uma restituição próxima. O que ela vê nos sinais do tempo são outros tantos potenciais formais. Seus referentes abrem-se a outros princípios morfológicos, as cortinas se prometem como o teatro de uma peça em construção. De maneira referencial, as maquetes e outras figuras seriam os atores de um tempo presente que precisamos agarrar, eis que chegou esse momento suspenso em seu anacronismo ao qual Ana nos convida, coberta por seu manto de Açafrão.

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